“Ai que emoção, ele pegou na minha mão!”

Dedicado, apaixonado, atencioso, companheiro, confiável… Quem não ia querer um par perfeito assim?

Pra infelicidade do Corno Apaixonado, pelo menos nas telonas de Hollywood, muita gente.

O Corno Apaixonado é um tipo muito especial de Quase. Suas habilidades não são anos de estudo ou treinamento, mas um caráter inabalável e os dotes perfeitos para um relacionamento. Ele é um verdadeiro apaixonado, e  tem todas as qualidades desejáveis num relacionamento.

Seu único defeito, pobre infeliz, é não ser o protagonista.

“Querida, deixa que eu carrego o carrinho
enquanto você pensa nele.”

E é importante, durante o filme, que o Corno Apaixonado tenha a chance de estar com a mocinha um tempo. É até bem comum que os dois tenham uma relação durante a história, desde que sempre fique bem claro para a platéia que o verdadeiro amor dela seja o protagonista, não importa por quê.

Na história, sempre, a mocinha ficou impedida de estar com o protagnista por algum motivo alheio à sua vontade – seja pela distância, por terem tido uma briga mal explicada no passado, uma separação mal resolvida, ou porque ele era uma entidade sobrenatural que decidiu que não podem ficar juntos por pertencerem a mundos diferentes. O motivo da separação não importa, o importante é que ela acabe aceitando o Corno Apaixonado como “prêmio de consolação”.

E o Corno Apaixonado não mede esforços para ser um bom moço. Mesmo sabendo que não é páreo para o mocinho original, ele faz de tudo para tornar a vida da sua alma gêmea o mais agradável possível enquanto ela não pode voltar para o seu verdadeiro amor. Talvez ele tenha a ingênua esperança de que, quem sabe um dia, ela poderia reconhecer essa dedicação e retribuir esse amor.

Até que acontece o retorno.

“Poxa, que bom que o Superman voltou, não é amor?”

Em algum momento do filme, um evento espetacular, uma experiência traumática, o fim do mundo ou simplesmente porque quis, alguma coisa vai colocar o protagonista de novo em contato com a mocinha.

É nessa hora que o Corno Apaixonado descobre que era apenas um passatempo, um prêmio de consolação. A mocinha, incapaz de resistir ao seu amor cinematográfico pelo protagonista, vai dar um discreto pé-na-bunda do nosso amigo, e voltar para onde o seu coração sempre quis estar.

Como todo Quase, o Corno Apaixonado coleciona méritos irrefutáveis para ser o par perfeito, e também como todo Quase, ele é superado pela fodonice inexplicável do herói da história. Só lhe resta se conformar com o destino e tocar a vida….  quem sabe o diretor do filme lhe dê um outro par como prêmio de consolação antes do fim da história?

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