Versão atribuída a Esopo:

A Raposa e a Cegonha

A raposa e a cegonha mantinham boas relações e pareciam ser amigas sinceras. Certo dia, a raposa convidou a cegonha para jantar e, por brincadeira, botou na mesa apenas um prato raso contendo um pouco de sopa. Para ela, foi tudo muito fácil, mas a cegonha pode apenas molhar a ponta do bico e saiu dali com muita fome.

– Sinto muito, disse a raposa, parece que você não gostou da sopa.
– Não pense nisso, respondeu a cegonha. Espero que, em retribuição a esta visita, você venha em breve jantar comigo.

No dia seguinte, a raposa foi pagar a visita. Quando sentaram à mesa, o que havia para o jantar estava contido num jarro alto, de pescoço comprido e boca estreita, no qual a raposa não podia introduzir o focinho. Tudo o que ela conseguiu foi lamber a parte externa do jarro.

– Não pedirei desculpas pelo jantar, disse a cegonha, assim você sente no próprio estômago o que senti ontem.

Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

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Eis uma fábula de La Fontaine:

A Cobra e a Lima

Conta-se que uma cobra vivia próxima de uma joalheria.
Certa vez, morta de fome, entrou ali, procurando restos de comida, nada achando, põe-se a roer desesperadamente uma lima.
A lima então lhe diz: -que pretendes, infeliz?
Não vez que sou feita de aço?
E que assim, sem mesmo me prejudicar, você estará prejudicando a si mesma?
Percebe que logo não terá dentes para usar, e eu continuarei assim a mesma?…
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Essa fábula foi nitidamente inspirada pela narrativa a seguir, atribuída a Esopo
A Lima e a Doninha

Uma doninha entrara no ateliê de um ferreiro
e se pôs a lamber uma lima que estava no chão.
Sua língua começou a sangrar abundantemente.
Ela não se deu por vencida, achando que era o ferro que estava sendo comido.
Quando se deu conta, estava sem a língua.
Quem gosta de contenda trabalha pela própria desgraça.

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A Raposa e a Uva

Coagida (impelida) pela fome, a raposa cobiçava o cacho de uva
na alta parreira, pulando com todas as forças;
como não pôde tocá-la, disse, afastando-se:
“Ainda não está madura: não quero apanhá-la verde”
Os que diminuem com palavras, as coisas que não podem fazer, deverão aplicar para si este exemplo.

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