Posts tagged ‘amor’

O CRAVO E A ROSA

 

 

(…)

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

 

(Martha Medeiros)

 

 

 

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CONFIAR UM NO OUTRO, ESSENCIAL PARA UM AMOR MADURO

Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não nos transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo.
 
Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada.

Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca. Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa. Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer. Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto. Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum. Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito.

Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos. Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo. É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional – ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.

Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade. Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo. Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva.

Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma. Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente. Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.

Quando a “mágica” do encantamento amoroso não vem acompanhada da “mágica” da confiança a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes. E essa “mágica” da confiança de onde ela vem?

De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada. Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela. Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações.

Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa. Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa. É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista. Porém, acreditar em certos conceitos num dia – na frente de certas pessoas – e defender conceitos opostos no outro – diante de outras pessoas – significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo. Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.

A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado. Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa. Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos. E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebem, sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada. Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.

Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável. Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser. Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco? Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoa em condições de agir da mesma forma. Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.
 

Flávio Gikovate

Formado pela USP em 1966, desde 1967 trabalha como psicoterapeuta, dedicando-se principalmente às técnicas breves de psicoterapia. Em 1970 foi assistente clínico no Institute of Psychiatry da Universidade de Londres. É autor de livros que se tornaram best-sellers internacionais. Flavio é presença constante nos pragramas de tv e tem um programa na CBN, todos os domingos das 21 às 22 h. Os textos aqui publicados fazem parte de uma coletânea de textos do autor, publicados em jornais e livros.

Fonte: vaidarcerto.com.br

BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

    tem de ser bem devagarinho,
    amada,

    que a vida é breve,
    e o amor
    mais breve ainda.

Mario Quintana

POR QUE VOCÊ GOSTA DE QUEM TE MALTRATA?

Imagino que, num primeiro momento, qualquer pessoa com um mínimo de sanidade responderia a essa pergunta com um sonoro e seguro “claro que não gosto de quem me maltrata!”. E ainda bem! Afinal, seria mesmo estranho ouvir alguém contando, alegre e satisfatoriamente, sobre o quanto adora ser agredido, desprezado e ignorado.

No entanto, bastariam se auto-observar um pouco mais para que algumas pessoas se dessem conta do quanto, ao longo da vida, vão escolhendo se relacionar justamente com quem mais lhe trata mal. Inconscientemente ou sem conseguir evitar, quando menos esperam, se veem envolvidas, interessadas e até completamente apaixonadas por quem é grosseiro, frio, insensível e até agressivo.

Obviamente, com o tempo, é impossível amar alguém assim sem carregar, no mesmo pacote, uma dose cavalar de ressentimento, mágoa e raiva. Somos humanos e vivemos em busca de reconhecimento, aceitação e amor. É isso que nutre nosso corpo, nossa alma e nossa existência. É isso que nos ajuda a nos manter saudáveis e felizes.

Então, por que será que relações pseudo-sado-masoquistas existem aos montes? Ou seja, por que será que, mesmo afirmando categoricamente que desejam outro tipo de relacionamento, algumas pessoas sempre terminam no lugar de vítimas e sofredoras na dinâmica do amor?

Bem, talvez seja importante esclarecer, antes de qualquer coisa, que ninguém, absolutamente ninguém, continua numa relação onde não está ganhando absolutamente nada! Talvez, o ganho seja justamente a carapuça de “bonzinho”, “coitadinho”, “tão compreensivo e tão incompreendido”. Cada um baseado em suas crenças sobre o que seja amar, vai buscar nas relações que vive a confirmação de que está certo, de que tem razão.

Portanto, se você acredita – mesmo sem nunca ter se dado conta disso – que amar é se submeter, é ceder sempre, é suportar tudo pelo outro, é ultrapassar dificuldades, independentemente do quanto se tem de prazer e satisfação na relação… então, sinto muito! Só terá olhos para quem te proporciona esse cenário de horror! Especialmente porque, no fundo, você acredita que esse horror é sinônimo de um amor verdadeiro, comprometido e que vai garantir seu lugar de alguém que não desiste da chance de ser feliz.

Mas o fato é que tudo isso é um grande engano. É a compra de um passaporte só de ida para um mundo repleto de angústia, frustração e tristeza. É a sua assinatura num contrato que promete aos candidatos a pombinhos: “E foram infelizes para sempre”.

Se você realmente não deseja essa história para a sua vida, sugiro que comece a construir e alimentar novas crenças urgentemente. Sugiro que comece a observar e constatar, por meio de experiências de outros casais, o quanto é possível e maravilhoso viver uma relação onde grosserias e agressões são lamentáveis exceções e não a base deste encontro.

Construa mentalmente ou até escreva a história de amor que você deseja viver. Como você é nesta relação? Como o outro é? Como vocês se tratam? Sobre o que falam? Qual o tom de voz que usam? Com qual objetivo conversam: descobrir quem está certo ou chegar a um consenso?

Enfim, amor é, sobretudo, uma ferramenta de construção interior que deve servir para nos tornar pessoas melhores. Não estou querendo insinuar que é possível viver um relacionamento sem nunca ter problemas, discussões ou diferenças. Claro que isso faz parte. Mas a questão é: que parte é essa? Se for quase toda, senão a relação inteira, é hora de rever sua dinâmica e suas escolhas! E quando encontrar as respostas dentro de si mesmo, certamente vai se envolver com quem te trata muito bem, assim como você!

Dra. Rosana Braga
Consultora

AMOR E FIDELIDADE ANDAM SEMPRE JUNTOS?

 
 
PSICANALISTA AJUDA A ENTENDER A MENTE MASCULINA
 
 ter , 8/6/2010 ruth de aquino  Mulheres
 

No sábado, vamos comemorar o Dia dos Namorados. É uma boa oportunidade para todos nós – apaixonados, casados ou sós – refletirmos sobre o que a gente espera de uma relação de amor. Prazer, compromisso, cumplicidade? Casamento… filhos? Fidelidade?  Liberdade?

Recentemente, escrevi duas colunas na ÉPOCA que têm a ver com sexo e amor. Em uma delas, Os pegadores e as vagabundas, eu perguntava por que o homem livre é pegador e por que a mulher livre é tachada de vagabunda. Por que “galinha”, para muitos homens, é elogio por referendar sua virilidade e por que “galinha”, para mulher, é sempre ofensa.

A outra coluna foi sobre um livro de uma psicanalista francesa que entrevistei em Paris. Les hommes, l’amour, la fidélité. Os homens, o amor, a fidelidade. Ainda não foi editado no Brasil. A autora Maryse Vaillant identificou os vários perfis de maridos que vão a seu consultório e que ela entrevistou para escrever seu livro. Os perfis e definições são de Maryse.

Com qual deles você sonha casar – ou qual deles você associa a seu homem?

O monogâmico mentiroso e infiel que ama sua mulher oficial, é extremamente dedicado à família e não quer se separar, mas tem seus casos discretos e pouco importantes. Não se considera infiel.

“Esse perfil é generalizado, sempre foi. Especialmente entre os homens que têm famílias estáveis, mas também dão importância a seu trabalho e status social. E acham que ter aventuras é uma forma de se sentir mais vivo.”

O polígamo ansioso que quer levar para a cama todas as mulheres que deseja e só valoriza sua liberdade.

“Um modelo cada vez mais comum de imaturidade masculina. Claro que, na juventude, é natural o flerte e a aventura. Vem da curiosidade e dos hormônios. Só que uns levam isso adiante para sempre.”

O infiel crônico que ama também as amantes e que se torna um marido indeciso, sem jamais saber o que quer. A decisão do divórcio é sempre da mulher, nunca dele.

“Esse sempre existiu e está aumentando, com a frequência dos divórcios e os casamentos cada vez mais breves. Como ele acredita no casamento romântico, com base na paixão somente, ele se considera livre para perseguir outros amores quando o desejo esfria. Isso não tem fim.”

O fiel cativo e obsessivo, que só olha para a sua mulher.

Não faz parte de um grupo numeroso, mas, se for ciumento, pode se tornar violento porque tem ciúme até do passado de sua mulher. É o fiel por honra. Modelo mais antigo. Que se apoia na moral da família”.

O fiel feliz e satisfeito.

“Muito raro. Tão raro que não deveria fazer parte das preocupações femininas. É um tipo mais comum quando a idade chega, após crises de identidade da juventude e da maturidade. É um perfil que se encontra em homens mais velhos, que desejam uma relação plena sem sobressaltos”.

Eis a entrevista com a psicanalista:

Mulher 7×7 –  Quantos homens você acha que realmente amou?

Maryse Vaillant – Tive uma grande paixão, tentei amar uns 3 ou 4 e amo meu companheiro atual. Quando eu era jovem, queria sobretudo viver intensamente, com paixão, até a morte. Depois, tive um filho e percebi que o amor louco não poderia preencher toda a minha vida. Separei-me de um homem que eu amava ainda mas que me desequilibrava. Ele dizia que era fiel. Eu o traí.

Por que você escolheu se fazer de advogado do diabo nesse livro ?

Eu queria que as mulheres entendessem melhor por que os homens traem, queria que sofressem menos e não se culpassem. Existe algo que pertence à construção da identidade masculina, tanto culturalmente quanto psicologicamente. As mulheres precisam saber como os homens pensam.

Mulheres e homens encaram a fidelidade e a traição de maneira diferente?

Mulheres costumam dar mais importância à palavra, ao amor, à promessa implícita de total fidelidade que existe no conceito de casal. Para os homens, a traição é sexual.

Existe alguma associação entre a intensidade do amor de um homem por sua mulher e sua fidelidade ?

Não. Os homens podem amar sua mulher intensamente, mas traí-la por uma aventura sexual passageira.

O mesmo pode ser dito de uma mulher?

Para algumas mulheres sim. As que conseguem separar sexo de sentimento. Mas a maioria associa intensamente os dois.

As aventuras não significam adultério para a maioria dos homens?

O adultério é um termo que remete ao século passado. Uma longa relação, por exemplo, ou sustentar outra mulher, ter uma vida dupla. Aventuras são as paixonites temporárias, quase um hobby, um passatempo, um complemento.

Sacrificar o prazer é uma prova de amor?

Às vezes sim. Não se pode ceder sempre à tentação. Nem é possível tampouco ignorar sempre o desejo. Para um homem apaixonado, ser fiel não deveria ser um sacrifício, mas uma escolha voluntária que lhe dá prazer.

O sucesso do casamento pode depender de uma infidelidade passageira e discreta?

Não se pode ser tão sistemático. O sucesso depende de cada casal e do contrato amoroso e emocional firmado entre eles. É como um pacto, explícito ou inconsciente. Quase tudo é possível, incluindo as infidelidades frequentes, desde que sejam discretas.

As mulheres também têm aventuras como um passatempo inocente?

Sim. Desde sempre, mas elas não falavam. Hoje, elas assumem cada vez mais.

As mulheres nunca são tão infiéis quanto os homens?

Casamento e filhos as restringem mais. São educadas para se sacrificar por suas famílias. As mulheres ainda se sentem menos livres que os homens.

“O casamento não domestica a libido”, você escreve em seu livro.

Sim. Mas o casamento, a meu ver, transcende em muito a libido. Colocamos no casamento nossos sonhos, expectativas, projetos de vida. O casamento é uma construção de todos os dias.

Os contratos libertinos podem ser uma solução para manter o casamento moderno, já que homem e mulher estão mais suscetíveis a seduções ?

Esse tipo de pacto não é para qualquer um. É raro dar certo um casamento nessas bases, em que qualquer um faz o que dá na cabeça.

Quem sofre mais com a traição ? O homem ou a mulher ?

É impossível não sofrer ao ser traído. O amor próprio se confunde com o amor. As feridas ao orgulho pessoal são tão fortes quanto as afetivas. Por isso, quem trai deve ser discreto.

As mulheres que vivem com medo de ser traídas acabam sendo ? Por quê?

Elas são tão ansiosas, se colocam tanto numa posição de vulnerabilidade, fiscalizam tanto o marido que ele se sente asfixiado e sai em busca de liberdade e autonomia. É quase como se elas tivessem certeza de que, uma hora ou outra, serão traídas e abandonadas. E conduzissem inconscientemente o casamento para esse desfecho.

Os homens mais velhos que se apaixonam por garotas mais jovens tendem a ser mais fiéis ?

Eles são dependentes dessas meninas, porque elas ilustram sua virilidade como troféus. Sobretudo aos olhos de outros homens. Se forem fiéis, será por amor a essa imagem e não por convicção. Homens amadurecem muito tarde.

As mulheres podem se cansar de um marido totalmente fiel que só olha para ela?

Algumas ficam entediadas sim. Mas compensam com o amor dos filhos, especialmente dos filhos homens. Não é a fidelidade que é chata, mas as possíveis razões para tal fidelidade. Por exemplo, a falta de imaginação do marido e também uma vida excessivamente prisioneira do casamento.

As mulheres deveriam se tornar mais flexíveis e tolerantes com pequenas infidelidades do marido?

É a escolha de cada uma. Há mulheres que toleram, outras de forma alguma. Mas, acima de tudo, elas deveriam parar de imaginar que, se seu homem as trai, a culpa é delas. As mulheres não são nada responsáveis pela libido de seus homens.

E você, o que acha da visão da psicanalista francesa sobre os vários níveis de fidelidade e tipos de casamento? Mudou sua opinião?

 (Extraído da revista ÉPOCA – Mulher 7X7)